8º Piquenique Literário: A hora da estrela – Clarice Lispector

Indiscutivelmente, um dos maiores nomes da literatura brasileira é Clarice Lispector. Dito isso, confesso que, apesar de ter ideia da importância da autora e de seus romances para a nossa história, até poucos dias atrás eu nunca havia me interessado por qualquer um dos livros escritos por ela.

E, mais uma vez, graças ao Piquenique Literário – São José dos Campos tive a oportunidade de conhecer um dos livros de Clarice, que tem origem ucraniana, mas foi naturalizada brasileira. O resultado: me apaixonei, logo de cara, pela autora e por sua maneira sutil de escrever.

A hora da estrela foi o último romance publicado ainda em vida por Clarice, em 1977, ano em que a autora faleceu vítima de um câncer no ovário. A obra, que conta com outros 12 títulos, é uma história bem curtinha, narrada em pouco menos de 100 páginas, ou seja, é possível devorá-la em algumas horas ou dias.

Esse foi o livro escolhido pelos participantes do Piquenique Literário para o debate do 8º encontro que nós, Thaís e eu, os agentes multiculturais do Além da Capa, organizamos na cidade em que moramos. E, diga-se de passagem, que segundo o Guinness World Records, esse foi o piquenique com o maior número de participantes, chegando a quase 50 pessoas!

A hora da estrela apresenta ao leitor a história da jovem Macabéa, de 19 anos, e é narrada pelo ponto de vista do escritor Rodrigo S. M., alter ego de Clarice Lispector. Após uma série de eventos pessoais, Macabéa deixa o sertão do Nordeste e muda-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde passa a descobrir uma nova vida.

Durante a metade do livro, o narrador escritor faz dezenas de reflexões pessoais, revelando ao leitor o nome da protagonista da história, Macabéa, apenas na metade exata da publicação imprensa, na página 43 (pelo menos na edição que eu li)! Nesse romance, Clarice mostra a simplicidade da personagem principal, que, ao longo de toda a história, aparenta ser uma pessoa conformada com a vida que leva e muitas vezes ingênua, mas, em contrapartida, feliz em sua própria maneira de viver e enxergar o mundo.

Porém, o livro vai muito além disso e convida o leitor para uma série de questões existenciais sobre a essência humana. Alguns leitores acreditam que, ao escrever esse romance, Clarice tinha consciência de que estava próxima da morte e fez uma espécie de desabafo nas páginas do livro. Por fim, transcrevo aqui um trecho da sinopse da obra, que diz que “A hora da estrela é um romance sobre o desamparo a que, apesar do consolo da linguagem, todos estamos entregues.”

No cinema

Em 1985, A hora da estrela ganhou as telonas do cinema, com direção de Suzana Amaral. Estão no elenco Fernanda Montenegro no papel da madame Carlota, a cartomante; José Dumont, que dá vida a Olímpico de Jesus, namorado da protagonista da história; Marcélia Cartaxo, a Macabéa; entre outros atores.

Na época o filme recebeu diversos prêmios. Já em novembro de 2015, trinta anos após seu lançamento, o filme ocupou a 42ª posição entre os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

Compre o livro clicando nos links abaixo e colabore com o blog! 🙂
A Hora da Estrela
A Hora da Estrela – Edição Especial
Mineiro, jornalista, escorpiano, leitor de boas histórias, amante de práticas saudáveis, apaixonado pela natureza e por boas vibrações.

Deixe uma resposta