A Sereia – Kiera Cass

Editora Seguinte, 368 páginas
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Você encontra esse livro na sessão infanto-juvenil. Mas me diga: há idade pra gostar de sereias? Eu, por exemplo, sou apaixonada pela Ariel!

Então minha relação com esse livro foi amor à primeira capa. Mas nosso laço não durou muito… Explico por quê.

A história é sobre sereias contemporâneas, que podem conviver com os humanos, só não podem falar com eles. É que a voz delas é fatal. As sereias são jovens resgatadas de naufrágios pela Água e obrigadas a servirem-na por cem anos (é claro que durante todo esse tempo elas não envelhecem). O trabalho delas é cantar para atrair as pessoas para se afogarem no mar – homens, mulheres e crianças. Isso mantém a Água alimentada e satisfeita.

Mas Kahlen, uma das sereias, não curte essa vida de afogar e matar os humanos. Mesmo assim, ela sabe que precisa cumprir a sentença pra ser livre. Aliás, quando o livro começa, ela já tem 80 anos de servidão (e 19 anos de vida pré-sereia). Mas ela não imaginava que pelo caminho fosse encontrar Akinli, um garoto lindo e gentil que não se importa nem com a falta de voz da Kahlen. E então começa o dilema: cumprir sua pena pra enfim ganhar a liberdade ou seguir o coração e correr o risco de ser pega pela Água?

Não havia uma palavra boa o suficiente para descrevê-lo. ‘Decente daria a entender que ele só tinha o nível mínimo de educação. ‘Bom’ não dava conta do afero sincero que ele transmitia a todas as pessoas, mesmo quando estava mal. Até ‘perfeito’ não era uma palavra justa, porque ele com certeza tinha defeitos, e essas falhas humanas me faziam amá-lo ainda mais.

Até aí tudo lindo, a temática é interessante, inovadora, foge do lugar comum. Mas na minha opinião o livro deixou – e muito – a desejar. Por mais que a autoria tenha apostado num novo aspecto das sereias, você continua esperando magia, encanto, aquela coisa mística que envolvem esses seres. Mas só tem sofrimento e depressão.

Kahlen é a sereia mais sem graça que existe nesse mundo! É tão insegura que chega a ser irritante. E o pior: o que era pra ser um livro de romance tem, no máximo, cinco cenas de paquera entre o casal principal. O resto é pura lamentação.

Mas vamos dar um desconto… Esse foi o primeiro livro escrito por Kiera Cass. Eu adoro a autora, ela que escreveu a série ‘A Seleção’ (que em breve falarei sobre). Mas nesse livro, ela errou a mão. Prefiro continuar torcendo pra Ariel ficar com o príncipe Erik.

Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

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