Corrida pela herança – Sidney Sheldon

Sidney Sheldon sempre (ou quase sempre) apresenta ao leitor histórias empolgantes, recheadas de suspense e emoção, sendo impossível deixar o livro de lado antes de terminar a leitura. Porém, ao ler Corrida pela herança, eu caí do cavalo – expressão muito comum lá pelas bandas de Minas Gerais!

Quando peguei esse exemplar para ler, minha ideia inicial era ter em mãos um livro que fosse fácil de carregar – já que iria fazer uma breve viagem – e que eu pudesse ler no final de semana. Este exemplar estava na minha pilha de leituras para esse ano e, por se tratar de uma obra escrita por Sidney Sheldon, eu não pensei duas vezes. Porém, pelos motivos que irei descrever nos parágrafos seguintes, mesmo sabendo que Corrida pela herança é um livro infanto-juvenil, eu esperava uma aventura no mínimo razoável.

O drama

O livro conta a história de Samuel Stone, que, após sua morte, deixa uma herança milionária. Contudo, para que os personagens principais da trama consigam colocar a mão na grana, eles terão que seguir uma série de pistas preparadas pelo próprio falecido, o qual, muito avarento, decidiu dificultar o caminho.

Com exceção de uma empregada e do mordomo, que recebem uma pequena quantidade do dinheiro, Samuel Stone convida quatro possíveis herdeiros para se aventurar na busca pela herança e por objetos de valor.

Então, entram nesse jogo a viúva, o sobrinho e o advogado – em nenhum momento do livro os nomes desses personagens são apresentados ao leitor, o que me incomodou imensamente, já que até mesmo personagens secundários tinham seus nomes revelados. Sem contar que eu fiquei me perguntando por diversas vezes: “por que o advogado teria direito à herança, se ele nem é da família?”. Ainda não encontrei nenhum motivo.

E, além desses três herdeiros, há um quarto integrante do grupo: David, um primo distante e honesto, presidente da Fundação Samuel Stone, que auxilia os menos favorecidos.

Cômico, para não dizer trágico

A cada novo capítulo, esses personagens se reúnem na biblioteca da mansão onde Stone morava e recebem orientações do próprio Samuel sobre onde devem procurar a herança. O milionário, antes de morrer, deixou uma série de vídeos gravados, desafiando seus herdeiros a buscarem o dinheiro e os objetos de valor. Assim, ele apresenta pistas meio “sem pés e nem cabeça”, levando o leitor a acompanhar as aventuras mais absurdas possíveis.

Porém, meu caro amigo, mesmo com esses fatos estanhos, prossegui na leitura com a esperança de que o final me reservasse uma grande surpresa. Afinal, o livro foi escrito por Sidney Sheldon! Mas nada é tão ruim que não possa piorar e, pasmem, piorou! Seria cômico, se não fosse trágico.

Sim, eu sei que o livro é destinado ao público infanto-juvenil, mas, ainda assim, achei a história um tanto quanto confusa e esperava mais.

A obra tem algumas poucas ilustrações e, a cada novo capítulo, apresenta um início semelhante dos fatos, sempre recapitulando ou reescrevendo o que foi dito na página anterior, como se o leitor sofresse de algum tipo de amnésia. Os diálogos também não poupam a repetição e apresentam uma sequência nada interessante, com recursos como: “gritou a viúva”, “disse o sobrinho”, “falou o advogado” e “pensou o sobrinho”.

No começo na leitura, talvez nos três primeiros capítulos, até achei a história “legalzinha”. Por isso, acredito que Corrida pela herança possa ser ideal para os mais jovens, já que a linguagem é de fácil compreensão e os fatos são engraçadinhos, o que pode acabar  envolvendo o leitor. Todavia, dificilmente eu daria esse livro de presente a uma criança, até porque há títulos nacionais muito mais interessantes e envolventes, como alguns da série Vaga-Lume.

O autor

Por fim, gostaria de pedir encarecidamente que vocês não julguem Sidney Sheldon por esse livro, okay!?!?! O autor tem obras excelentes, principalmente as que são voltadas ao público adulto – já li alguns na minha adolescência –, além de diversos roteiros para TV, filmes e peças de teatro. E Sheldon é tido como o “escritor mais traduzido no mundo”.

Na minha lista de leituras desse ano, ainda está a obra A outra face, escrita por ele, que eu comprei na Feira do Livro de Poços de Caldas. Espero conseguir ler esse livro em breve e escrever uma resenha para lá de positiva para o Além da Capa!

Mineiro, jornalista, escorpiano, leitor de boas histórias, amante de práticas saudáveis, apaixonado pela natureza e por boas vibrações.

2 Comment

  1. Nossa, fico muito triste que o livro não tenha te agradado. Infelizmente aluns autores que apreciamos tanto podem nos decepcionar, não é? Aconteceu isso comigo recentemente com uma autora que eu admiro muito.
    Bom, eu nunca li nada do Sidney e quero realmente conhecer a escrita dele porque minha ama os livros dele, mas esse ela ainda não leu. Como você disse, é complicado julgar um autor por uma obra em si, então ainda quero ler os livros dele e ver o que acho.
    Não pretendo começar por esse porque não gostei de alguns pontos que você ressaltou dele, é realmente frustante essas pontas soltas e o fato de não revelar os nomes.
    De qualquer forma, adorei a forma como explicou seu ponto de vista!
    Magia é Sonhar

  2. Olá, Gabriela!
    “Corrida pela esperança” realmente não superou minhas expectativas, já que conheço e sou fã dos livros escritos por Sidney Sheldon.

    Contudo, não deixe de conhecer outras obras do autor. Uma boa leitura!

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