Fiquei com seu número – Sophie Kinsella

Acredito que muitos de vocês, assim como eu, precisem de um livro leve entre leituras tensas para que o cérebro possa dar aquela respirada… Foi assim que Fiquei com seu número foi parar nas minhas mãos.

Eu tinha acabado de terminar Memórias da Casa dos Mortos, de Fiódor Dostoiévski, livro escolhido para o debate do 7º Piquenique Literário e meu primeiro contato com um autor russo. Embora eu tenha gostado da história e, principalmente, aprendido muito sobre o ser humano com ela, não foi uma leitura fácil: a obra traz um conteúdo denso e recheado de angústia.

Decidi que iria ler uma chick-lit. Sabem o que é isso? Aí vai uma breve explicação: vulgarmente chamado de “literatura de mulherzinha”, é um gênero literário que trata do universo feminino, sobretudo de questões que envolvem a mulher moderna. Geralmente, são romances e comédias leves, bem o que eu precisava.

Então lembrei que há muito tempo, em uma daquelas promoções da Amazon “compre um livro e ganhe um ebook”, eu havia recebido, de graça, o romance de Sophie Kinsella. Nunca havia lido nada da autora, mas já adianto: agora quero ler todos!

De repente, tenho uma inspiração. Com confiança, eu digito: Se está numa lata de lixo, é propriedade pública.

O livro é narrado em primeira pessoa por Poppy Wyatt, que eu vou definir simplesmente como: melhor pessoa. Ela é a típica mocinha atrapalhada, mas não de um jeito bobo (como normalmente são as protagonistas de livros/filmes desse tipo). Poppy é engraçada de verdade e me arrancou altas risadas.

Logo nos primeiros capítulos, ela perde o anel de noivado caríssimo – que está na família de Magnus, o noivo, há três gerações – e seu celular é roubado. Então, ela acha um telefone no lixo do hotel onde perdeu o anel. E achado não é roubado, certo? Poppy acaba espalhando o número do celular a todos do hotel para o caso de alguém achar a joia.

O caso é de extrema urgência! Afinal, o casamento está próximo e os pais de Magnus chegam à cidade em poucos dias para a cerimônia. Eles são um casal intelectual de professores que parece não aceitar muito bem a relação do filho com Poppy e que sempre a faz se sentir inferior. Por isso, nem Magnus e muito menos os futuros sogros podem saber que o anel sumiu!

Pelo menos Poppy resolveu o problema do celular roubado, né? Ledo engano. O aparelho que ela encontrou é um telefone empresarial, jogado no lixo pela ex-secretária de um executivo chamado Sam Roxton, que o quer de volta!

Depois de Poppy contar toda a história do anel para Sam (e de fazer um favor a ele dançando Single Ladies para um grupo de japoneses hahaha), o empresário decide deixá-la com o telefone temporariamente, até que ela encontre a bendita joia de noivado! Ele pede apenas que ela encaminhe todas as mensagens e e-mails que receber para o celular pessoal dele.

Pausa para dizer que eu me identifiquei demais com a Poppy. Primeiro, existe um mundo paralelo para onde fogem todas as minhas coisas, não apenas as meias e as canetas. Segundo, Poppy tem uma grande dificuldade de dizer “não” às pessoas, o que às vezes lhe prejudica – o mesmo ocorre comigo (help). É por isso que ela acaba fazendo quase todo o trabalho da estressada cerimonialista que está sendo muito bem paga para organizar seu casamento, mas que sempre arruma desculpa para não fazer o trabalho direito.

Por fim, sou extremamente curiosa: nunca na vida que eu ficaria com o celular de alguém na mão e não leria todas as mensagens da pessoa! Poppy fez exatamente isso! Mas ela foi além: não apenas leu todas as mensagens de Sam como tomou a liberdade de responder algumas delas se passando por ele. E aí começa a confusão. Vale ressaltar que o empresário é uma pessoa muito correta, reservada e direta. Nunca manda e-mails no dia do aniversário de seus funcionários nem termina as mensagens com “beijos”. E isso é só uma amostra do que Poppy aprontou…

Entre torpedos e confusões, Poppy e Sam se aproximam. Assim, fica cada dia mais difícil devolver o celular, porque o aparelho acaba representando a ligação que existe entre eles, ou seja: telefone entregue, relação rompida.

Mas Poppy encontrou o anel? Os pais de Magnus descobriram que a joia havia sumido? Como Sam reagiu ao saber que Poppy estava respondendo suas mensagens como se fosse ele? Apenas leiam esse livro!

Embora apresente alguns clichês, a obra tem mais situações surpreendentes do que previsíveis. E o livro fala, de uma forma muito bem-humorada, sobre se aceitar e lutar por você mesmo, quando necessário. A escrita de Sophie Kinsella é um prazer à parte. Fiquei com seu número é uma leitura rápida, divertida e, inclusive, emocionante.

PS: Você não encontrará melhores notas de rodapé do que as apresentadas nesse livro.

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Fiquei com seu número – Sophie Kinsella
Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

2 Comment

  1. Oi, Thaís! Esse livro é uma delícia de ler, eu ri do começo ao fim, rsrs. Foi uma das leituras mais engraçadas que já fiz na vida e a cena do Single Ladies é maravilhosa! Ótima resenha! Beijos

  2. Oiiiiii! Também adorei esse livro, mas já faz algum tempo que li, deu vontade de ler novamente!

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