Marina – Carlos Ruiz Zafón

Eu poderia ler qualquer livro escrito por Zafón sem que seu nome estivesse estampado na capa da publicação e, mesmo assim, saberia que ele é o autor da obra. Isso porque o escritor espanhol tem uma maneira bastante peculiar, até meio poética, de narrar os fatos, misturando-os a elementos sombrios e uma boa dose de suspense.

Além disso, Zafón não poupa os detalhes em suas histórias, descrevendo com maestria as particularidades de cada personagem, bem como as ruas e as construções de Barcelona, na Espanha – cenário dos livros escritos por ele –, o que permite ao leitor uma verdadeira viagem pelo país europeu.

Marina é o terceiro livro escrito pelo autor que eu leio e, mais uma vez, fiquei extremante empolgado com a maneira como ele narra os acontecimentos. A obra é uma publicação voltada ao público infanto-juvenil – que pode ser lida por pessoas de todas as idades – e apresenta uma história bem curtinha, possível de ser devorada em poucas horas ou dias.

Assim como os outros livros do autor que eu li, Marina é um livro envolvente e os personagens são encantadores – no melhor e no pior sentido da palavra. A história narrada por Zafón mexeu com o meu imaginário e, em determinados capítulos, me deu até calafrios de medo.

O romance de suspense se passa nos anos 1980, quando Óscar Drai, um jovem solitário, que reside em um internato e tem pouquíssimo contato com família, descobre em suas aventuras pelas ruas de Barcelona um casarão misterioso, onde vivem Marina e o pai. Após criar uma certa amizade com a jovem, ela o leva até um cemitério da cidade. Lá, os dois encontram uma mulher coberta por uma manta negra que visitava um túmulo sem nome sempre no mesmo dia e horário.

É a partir daí, quando a dupla passa a tentar desvendar o mistério que ronda essa mulher, que o livro começa a ganhar fôlego. Eles acabam por descobrir uma série de mistérios que colocam a vida deles em risco e que são apresentados ao leitor a cada novo capítulo.

A história principal, de Marina e Óscar, se desdobra em uma série de acontecimentos, crimes e assassinatos, sem deixar o drama de Marina de lado, afinal, ela é quem dá nome ao livro.

Confesso que fiquei me perguntando como os dois tiveram acesso a informações que, no mundo real, seriam reveladas apenas aos adultos, mas como a história é voltada ao público jovem, acredito que essa seja uma estratégia para aproximá-los da narrativa.

Cheguei também a me questionar sobre o título nas páginas finais da publicação, quando o mistério estava praticamente todo desvendado pelos protagonistas do drama, mas Marina também tem seus segredos! A jovem é uma daquelas personagens que te encantada e te prende na história.

No livro, até mesmo as “bizarrices” apresentadas ao leitor têm suas explicações e acabam se justificando. Zafón consegue amarrar todas as pontas da trama e, por fim, o quebra-cabeça se encaixa perfeitamente.

O livro é bem construído e daria o roteiro de um excelente filme.

Recomendo a leitura para quem ainda não conhece o estilo de escrita do autor espanhol e, principalmente, para quem é fã de histórias de suspenses… Ah, e eu não pensaria duas vezes antes de ler novamente qualquer livro escrito por Zafón!

Mineiro, jornalista, escorpiano, leitor de boas histórias, amante de práticas saudáveis, apaixonado pela natureza e por boas vibrações.

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