Menina má – William March

Sempre houve algo estranho com Rhoda, mas eles ignoraram suas esquisitices, esperando que, com o tempo, ela fosse se tornando mais parecida com as outras crianças. Mas isso não aconteceu.

Eu vou dizer o que há de errado com Rhoda: o livro não é sobre ela.

Eu sou o tipo de pessoa que adora surpresa! Por isso, vira e mexe compro livros sem nem ler a sinopse, apenas porque achei a capa bonita ou porque gosto do autor ou porque vai ser adaptado para o cinema. E fujo de spoilers como o diabo foge da cruz! Foi assim com esse livro. Ele foi escolhido no final do ano passado para ser lido em conjunto por um clube do livro online do qual eu participava antes de criar o meu amado Piquenique Literário. Uau, que capa linda! É um suspense psicológico, que interessante. Olha esse título: “menina má”, já amei. Foram alguns dos meus pensamentos… até começar a ler.

Rodha, a tal menina malvada, tem 8 anos de idade e um rostinho angelical. Ela vive com os pais, que aparentam ser muito felizes no casamento. Embora a figura paterna não apareça “fisicamente” na história, pois está sempre viajando a trabalho, podemos entender essa relação familiar por meio das cartas que a mãe, Christine, escreve para ele.

Apesar da pouca idade, Rhoda é uma criança independente, inteligente e disciplinada, mas também manipuladora, por isso sempre consegue o que quer. O livro começa a ganhar ritmo depois que a menina é matriculada em uma escola considerada avançada e participa de uma competição na qual será premiado o estudante com a melhor caligrafia da turma. Rodha é boa aluna, se destaca nas aulas e treina a caligrafia em casa, por isso acha que o prêmio está no papo. Mas ela inesperadamente perde para seu colega de classe, Claude, que sofre as consequências…

A partir daí, percebemos que o livro não gira em torno da menina, do que ela fez ou do que ela é, mas dos receios e descobertas da mãe, Christine. Então, minha primeira crítica é: por que esse título, hein?! Vale destacar que o nome em inglês é The bad seed, algo como “a semente do mal”, o que faz mais sentido! Portanto, foram muito infelizes nessa tradução!

Pois bem… diante do comportamento estranho e dos acontecimentos terríveis envolvendo Rhoda, Chirstine passa a investigá-la, estudando sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, ela consegue desvendar os segredos da filha e, principalmente, do seu próprio passado, mas toma atitudes completamente questionáveis e nada inteligentes.

O livro é um pouco arrastado porque tem pouca ação e muita reflexão por parte da mãe, mas sejamos justos: é a isso que ele se propõe. O autor, William March, escreveu a obra em uma época na qual a psicanálise era muito influente na sociedade (1954), então os fãs dessa área de estudos podem achar o livro muito mais interessante do que eu.

Contudo, foi essa falta de esperteza de Christine – para não chamá-la de outro nome – que deixou a história desinteressante, no meu ponto de vista. Até que não seria um problema o livro ser mais focado na personalidade dela, desde que ela fosse uma personagem menos ingênua e perdida. Sobre o final, vou fazer a Copélia de “Toma lá dá cá”: prefiro não comentar – até porque não posso dar spoilers haha. Mas eu achei muito muito muito ruim.

Edição nota 10, mas só isso

O único crédito vai para a edição da DarkSide Books, lançada em 2016, que é realmente caprichada. A capa dura é belíssima, a diagramação também ajuda a dar fluidez à leitura e eu adorei a fitinha que vem grudada para ser usada como marcador de página. Mas é só.

 Influência na cultura pop

O livro foi adaptado para um espetáculo da Broadway em 1954 e para o cinema em 1956. O título brasileiro do filme é “Tara maldita” e a produção chegou a ser indicada para quatro categorias do Oscar, incluindo melhor atriz para Patty McCormack, que interpretou Rhoda.

Por isso, acho que vou dar uma chance para o longa, quem sabe esse não é um daqueles raros casos em que o filme é melhor do que o livro?!

Além disso, diz a editora diz que a crueldade de Rhoda serviu de inspiração para personagens clássicos do terror, como Damien, Chucky, Annabelle, Samara (O Chamado), e o serial killer Dexter.

Alguém aí leu e gostou? Quero outras opiniões!

Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

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