A nona configuração – William Peter Blatty

Não julgue o livro pela capa – e muito menos pelo nome do autor!

Nas últimas semanas, ao selecionar um dos livros da minha pilha de obras que ainda precisam ser lidas, optei – pela segunda vez – por acompanhar uma história escrita por um autor que é conhecido e consagrado mundialmente. Desta vez, William Peter Blatty.

Contudo, como aconteceu com Corrida pela herança, de Sidney Sheldon, a leitura de A nona configuração não foi uma das minhas melhores experiências literárias em 2017, para não dizer apenas que foi algo realmente catastrófico.

O romance conta a história de um médico psiquiatra, Coronel Kane, que é encarregado de cuidar de ex-combatentes internados em um manicômio, onde antigamente era uma macabra mansão gótica. Em meio à “loucura” que impera no lugar, Kane passa a questionar sua fé, a ponto de ele não saber mais o limite entre o real e o falso, a sanidade e o delírio. Esse trecho faz parte da sinopse do romance, que traz ainda em suas últimas frases a seguinte informação: “nesta narrativa tensa e violenta, o suspense e o terror psicológico imperam. Nada é o que parece ser e o final reserva grandes surpresas”.

Porém, o que mais me decepcionou foi que eu não vi nada disso no livro e talvez esse seja o maior problema de A nona configuração. A sinopse da obra prometia uma grande história e cheia de emoções, mas o leitor poderá não encontrar nenhum desses elementos no enredo e, assim como eu, terminar a leitura bastante decepcionado com a narrativa. Então talvez o maior problema de fato nem seja a história do livro em si, e sim a expectativa criada pelo leitor ao ler a sinopse.

Além disso, a construção dos personagens é cômica e o diálogo entre eles é um tanto quanto teatral. Mas o desastre não acaba por aí… os internos do tal manicômio sofrem de diversos tipos de loucura, que não são bem explicadas, deixando o leitor perturbado e confuso ao acompanhar a história.

Por muitas vezes, eu perdi o fio da meada sobre os argumentos apresentados pelo autor e nada me convencia. O livro, apesar de ser curto, é bem cansativo e não é uma leitura empolgante… e olha que é um gênero que eu tenho bastante afeição.

E é preciso deixar registrado que o autor não poupa a blasfêmia nas páginas do livro, contudo, nem o uso desse artifício apresenta uma justifica plausível para que fosse utilizado no decorrer da obra.

No meio do livro, a história da uma reviravolta que poderia ajudar a salvar o enredo, mas não é isso que acontece. Mais uma vez o autor apresenta argumentos bizarros e nada convincentes! O que me ocorreu, na verdade, foi que devido a essa mudança repentina dos fatos apresentados, tive que reler alguns capítulos para conseguir entender a lógica do autor.

Por fim, o desfecho de A nona configuração não é nada surpreendente, sendo que o livro acaba tão ruim quanto começou. O único ponto positivo da obra é que o livro é bem curto, tendo pouco mais de 150 páginas. Assim, se o leitor achar a história bizarra, o fato de que ela não durará muito pode ser encarada como um alívio.

No cinema

A nona configuração foi adaptada para os cinemas em 1980, sendo dirigido e adaptado pelo próprio William Petter Blatty. Pelo que eu li nas minhas pesquisas pela internet, o longa foi um fracasso total de bilheteria, apesar de ter ganhado, em 1981, o Globo de Ouro de Melhor Roteiro.

O exorcista

O Exorcista

William também é autor de um dos maiores clássicos da literatura de terror em todo o mundo: O Exorcista, escrito em 1971. Até os dias de hoje, esse é um dos livros mais famosos do universo literário, sendo quase impossível não lembrar do livro, que também virou filme, sem que as cenas medonhas de Regan MacNiel, possuída por um espírito das trevas, venham à cabeça.

E foi esperando encontrar algo muito parecido com O Exorcista, que optei por ler A nona configuração… Porém, como vocês puderam perceber, não foi isso que aconteceu!

Mineiro, jornalista, escorpiano, leitor de boas histórias, amante de práticas saudáveis, apaixonado pela natureza e por boas vibrações.

1 Comment

  1. Ao meu ver, o grande problema do terror é que quando você gosta do gênero, suas expectativas SEMPRE são maiores que as cenas e situações das obras.

    Os livros até proporcionam cenas mais medonhas porque o medo com que nos deparamos é o nosso se guiado pelas situações de quem escreve, diferentemente dos filmes em que temos que nos contentar com o terror que o diretor conseguir nos apresentar. Porém, nada disso se compara com o terror da realidade e a ficção sofre, raramente agradando.

    Eu ouso dizer que mesmo o aclamado O Exorcista é muito fraco e nem seria lembrado se não tivesse sido um filme icônico na época de seu lançamento. Nunca fiz uma pesquisa a respeito, mas tenho um palpite de que as pessoas que tem mais medo deste filme, são as que nunca o assistiram.

    Gosto muito da literatura fantástica de Howard Phillips Lovecraft e o que percebi foi que os contos que mais cheguei próximo a sentir medo ou desconforto são suas histórias macabras ou mesmo seus contos do ciclo dos sonhos, que curiosamente são muito menos exaltados do que os Mitos de Cthulhu. Ou seja, as histórias que mais me tocaram foram as que eu não tive a menor expectativa.

    Por fim, não sei dizer se o que nos prejudica são as expectativas, a realidade ser muito mais brutal e aterrorizante do que a ficção ou os autores serem apenas humanos e não conseguirem manter a qualidade em todos os seus trabalhos. Mas se me permitem dar um conselho, este conselho é: leiam Lovecraft que eu quero saber das impressões de vocês plmdds.

    <3

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