O oceano no fim do caminho – Neil Gaiman

Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro.

Finalmente li meu primeiro Neil Gaiman! E, embora a leitura tenha sido rápida – até porque o livro é curtinho – demorei um tempo para digerir a história.

O início da obra, narrada em primeira pessoa, nos apresenta um homem de meia-idade que volta a uma cidade no interior da Inglaterra, onde passou a infância, para um funeral. Não sabemos quem faleceu, mas percebemos que é uma situação bastante difícil para o narrador, que decide fugir da cerimônia.

Então, ele dirige até a casa onde morou quando era criança, mas que, anos antes, foi demolida. Como a construção não é a mesma, o narrador – cujo nome nunca é revelado – segue viagem até o fim da estrada, chegando à fazenda da família Hempstock.

A partir desse momento, voltamos no tempo e vivenciamos todas as memórias de infância do narrador. Ele esteve pela primeira vez na fazenda aos sete anos de idade, em uma ocasião, no mínimo, marcante. O carro de seu pai havia sido roubado e a polícia o encontrou justamente nos terrenos da fazenda. Após serem avisados, o pai e o narrador vão até o local, mas descobrem que há um corpo dentro do carro: um homem se suicidou no interior do veículo após perder todo o dinheiro dos amigos em um jogo. Esse acontecimento liberta um ser sobrenatural que dá dinheiro às pessoas de forma desagradável e provoca uma série de consequências estranhas, mágicas e inimagináveis.

Enquanto o pai e a polícia resolvem os trâmites burocráticos, o narrador conhece as três moradoras da fazenda: Lettie, uma menina de onze anos; sua mãe Ginnie; e sua avó, a velha Sra. Hempstock. Desde o primeiro contato, o narrador percebe que Lettie e sua família também são seres especiais e que a fazenda onde moram esconde um universo mágico, onde a lua parece estar sempre cheia, os gatos nascem em plantações e o lago, na verdade, pode ser um oceano – daí o nome do livro.

Em determinado momento, Lettie leva o narrador com ela para enfrentar o espírito que se libertou e mandá-lo de volta ao lugar de onde não deveria ter saído. Ela pede que o garoto não solte as mãos dela durante todo o ritual, mas ele (claaaro) desobedece e acaba impedindo que o espírito realize sua passagem de volta.

Para piorar, no dia seguinte, o espírito assume a forma humana de uma linda mulher chamada Úrsula Monkton, que, não por acaso, é contratada pelos pais do narrador para ser babá dele e da irmã mais nova. Ela passa a infernizar a vida do menino, impedindo, inclusive, que ele saia de casa e peça ajuda à sua amiga Lettie. Mas a coragem e a determinação do garoto o levam a lutar contra as forças do mal.

Um dos pontos mais interessantes da história é a separação entre o mundo adulto e o infantil. O tempo todo o autor nos lembra de que ele é uma criança e que nenhum adulto acreditaria em tudo aquilo que ele está vivendo. É importante dizer que, aos sete anos de idade, o narrador é uma criança introvertida, com poucos amigos e que vive mergulhado nos livros.

Livros eram mais confiáveis que pessoas, de qualquer forma.

Isso me fez desconfiar, em diversos momentos, se todas as aventuras da história são mesmo parte da memória do narrador ou fruto da imaginação de uma criança solitária cujo maior prazer é entrar na fantasia dos livros para fugir das dificuldades do mundo real.

E é claro que as mulheres Hempstock são as personagens mais interessantes (e enigmáticas) da história. O autor não revela muito sobre elas, fazendo com que toda a magia que as envolve nos deixe muito curiosos. São bruxas? Fadas? Há quanto tempo estão na Terra? Por que assumem essa forma humana? Como fazem seus feitiços? Sabemos tanto quanto o narrador: são mulheres fortes e sábias. Elas me lembraram muito as Moiras da mitologia grega (que conheci vendo Hércules), três mulheres responsáveis por fabricar, tecer e cortar o fio da vida.


A narrativa do autor é bastante envolvente, portanto é uma leitura muito rápida e agradável. Realmente fiquei com vontade de ler outras obras de Gaiman (quem sabe Deuses Americanos, que está tão em alta). E o livro não tem outra definição a não ser “mágico”. Recomendo muito a leitura, que nos faz refletir sobre perda, amizade, identidade e a magia do universo infantil.

Nas telonas

Em 2013, a Focus Features comprou os direitos de adaptação do livro para o cinema, com direção de Joe Wright e produção de Tom Hanks. No entanto, não encontrei notícia recente sobre isso. Já está sendo produzido? Não sabemos, mas já queremos!

 

Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

2 Comment

  1. Quero muito lê os livros dele,todo mundo fala que ele é um ótimo autor! Achei esse livro incrível só pela tua resenha! Que inclusive eu amei! Bjos

  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk nunca tinha lido resenha desse livro e to sem saber agora, achei coisas totalmente diferentes quando vi a capa! amei
    bj
    http://www.omundodatutty.com

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