O Vilarejo – Raphael Montes

Editora Suma de Letras, 96 páginas
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Desde que o Bruno – esse mesmo, que também escreve para o blog – me apresentou os livros do Raphael Montes, fiquei apaixonada por sua narrativa sempre envolvente e muito sombria. A primeira obra dele que li foi, na verdade, sua terceira publicação: O Vilarejo. Em seguida, li Dias perfeitos e, recentemente, o Bruno me emprestou Jantar Secreto. Só falta ler Suicidas, a obra de estreia do autor, que logo será relançada pela Companhia das Letras.

O Vilarejo é uma obra para ser devorada em poucas horas. Além de ser um livro curto, de apenas 96 páginas, a história é tão interessante que é impossível parar de ler antes de chegar ao final. O cenário é um pequeno vilarejo, cuja localização não é identificada, onde famílias enfrentam frio, fome e as consequências de uma guerra civil. Diante de tantas dificuldades,  observamos o mal emergir em cada personagem.

O livro é estruturado em sete contos. O título de cada um é o nome de um demônio responsável por evocar um diferente pecado capital. Esses nomes foram definidos pelo padre alemão Peter Binsfeld, em 1589; são eles: Asmodeus (luxúria), Belzebu (gula), Mammon (ganância), Belphegor (preguiça), Satan (ira), Leviathan (inveja) e Lúcifer (soberba).

O clima de terror já começa no prefácio. Nele, o autor afirma ter adquirido, em um sebo no Rio de Janeiro, cadernos escritos a mão por uma certa Elfrida Pimminstoffer em idioma cimério, uma antiga língua já extinta. Curioso, ele diz ter traduzido aquelas palavras, o que teria resultado neste livro.

Os contos, embora apresentem histórias distintas, estão entrelaçados e acontecem no mesmo cenário: o vilarejo. Assim, as personagens principais de um conto podem aparecer como secundárias em outro. O interessante é que as sete histórias podem ser lidas fora de ordem, sem que haja prejuízo de compreensão para o leitor.

A edição da Suma de Letras é maravilhosa. A capa chama a atenção e desperta a curiosidade, e o livro traz ilustrações ao mesmo tempo bonitas e aterrorizantes.

(Divulgação / Raphael Montes)
Ilustração de Marcelo Damm

Não consigo dizer quantas vezes o meu estômago ficou embrulhado só de ler as histórias, imagine quando for assisti-las! Isso porque os direitos desta obra, assim como de todas as outras de Raphael Montes, foram vendidos para o cinema. Há pouco tempo, o próprio autor postou uma foto no instagram mostrando que está trabalhando na adaptação do roteiro para as telonas.

Mas enquanto os filmes não saem… vale a pena a leitura!

Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

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