Onze Minutos – Paulo Coelho

Onze minutos, baseado na história de uma prostituta brasileira que morava na Itália, foi o terceiro livro do escritor Paulo Coelho que eu li (A bruxa de Portobello e O Zahir foram os outros). Apesar de muitos criticarem o modo de escrita do autor, eu, particularmente, gosto da maneira que ele conduz suas histórias, aliando a espiritualidade às narrações. E, diga-se de passagem, Paulo Coelho é o autor brasileiro mais vendido em todo o mundo, por isso merece o nosso respeito enquanto escritor.

Em Onze minutos – a explicação do título no decorrer do livro é, no mínimo, curiosa –, Paulo Coelho conta a história de Maria, uma jovem que prova, ainda quando criança, o gosto da decepção amorosa. (Até então, nada muito diferente do que acontece com a gente, não é?)

Como resultado dessa frustração precoce, ela faz promessas de se fechar para o amor. Mas quem é que manda no coração? Se com a gente, meros leitores, essa é uma verdade quase que absoluta, com os personagens de livros não poderia ser nada diferente.

Após passar um período de férias no Rio de Janeiro, Maria é convidada a mudar para a Europa, onde terá a oportunidade de trabalhar como modelo. Proposta aceita, a jovem arruma as malas, se despede da família no Nordeste e embarca para a Europa. Contudo, ao chegar em Genève (ou Genebra, em português), na Suíça, ela percebe que as coisas não saíram conforme o planejado. Em meio às investidas em uma nova profissão, a imaturidade e a dificuldade com a língua, Maria começa a se prostituir para se manter em um país diferente e guardar dinheiro.

A jovem é curiosa e dedicada, e nas horas vagas passa a estudar a cultura local e outros assuntos que a interessam. No trabalho como prostituta, Maria acaba descobrindo seus anseios, desejos, medos e, ainda, que sua melhor companhia, muitas vezes, é ela mesma.

Já na prostituição, a jovem conhece infinitos clientes e, também, o sadomasoquismo (não tão quente e agressivo como em Cinquenta tons de cinza). Com o passar dos dias, Maria passa a anotar em um diário suas reflexões e conclusões sobre os homens com quem se relacionou, o sexo e, é claro, o amor.

No livro Onze minutos, Paulo Coelho mostra, ainda que de forma sucinta, o trabalho das prostitutas. E, ao falar abertamente de sexo, o autor nos leva a refletir sobre a situação de Maria, conduzindo o leitor pelos pensamentos da protagonista e por suas conclusões sobre cada experiência. O livro é livre de julgamentos.

A publicação termina sem um fim propriamente dito, nos levando a pressupor, com a última frase, que a história de Maria pode ter um recomeço. Sendo assim, cabe ao leitor imaginar qual será o destino da jovem.

Onze minutos foi publicado em 2003, tornando-se um best-seller em 40 línguas diferentes ao redor do mundo. Em 2009, devido ao sucesso da publicação, grandes meios de comunicação divulgaram que o livro ganharia uma adaptação para o cinema, tendo a atriz brasileira Alice Braga no papel de Maria.

O filme homônimo seria lançado no ano seguinte, mas parece que o projeto não saiu do papel; se saiu, ainda não foi lançado ao público (em uma rápida pesquisa sobre o assunto, o máximo que encontrei foram notícias antigas sobre a produção, como a divulgada pela Folha de S.Paulo em 2009). Enfim, quem sabe essa ideia ainda seja levada adiante!

Mineiro, jornalista, escorpiano, leitor de boas histórias, amante de práticas saudáveis, apaixonado pela natureza e por boas vibrações.

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