Os 13 porquês – Jay Asher

Uau. Não sei nem por onde começar.

Eu já disse aqui que não conhecia Os 13 porquês até ouvir falar sobre o lançamento da série da Netflix. Como metade do mundo, decidi ler o livro correndo para, então, ver os episódios. Nem precisei correr tanto, porque é uma leitura muita rápida – embora indigesta.

Ainda não terminei a série, estou apenas no 4° episódio e, agora que sei toda a história, não estou com pressa alguma de chegar ao desfecho… Mas a produção está maravilhosa, aparentemente bastante fiel ao livro!

A obra nos apresenta Clay Jensen, que, ao voltar da escola, encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto começa a ouvir as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker, uma colega de classe e antiga paquera, que cometeu suicídio recentemente.

Nas fitas, Hannah explica que existem 13 motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles e ele precisa ouvir tudo o que ela tem a dizer para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento. Ela exige, porém, que as fitas sejam passadas para a próxima pessoa da lista ou todas as gravações serão divulgadas publicamente (e ninguém quer que isso aconteça).

Na verdade, perdoo quase todos vocês. Mas, ainda assim, vocês precisam me escutar até o fim. Ainda assim, vocês precisam saber.

Achei de extrema importância as discussões que o livro traz sobre bullying, depressão, abuso psicológico e sexual e suicídio. Além disso, gostei muito do modo como o livro foi construído. Não há um capítulo todo para a Hanna ou todo para o Clay; suas narrativas se alternam. Desse modo, ele ouve as fitas e revela seus pensamentos a respeito simultaneamente. Também é interessante o clima de suspense criado pelo autor. Você não consegue largar a história porque quer muito saber qual é o próximo motivo e, principalmente, quem o causou.

E, embora comecemos a ler a obra já sabendo que Hanna está morta, não conseguimos evitar torcer por um final diferente. Eu, por exemplo, ficava esperando ela sair de dentro de algum armário da escola e gritar: surpresa! Mas, aos poucos, entendi que sua morte foi necessária para nos ensinar, da pior maneira possível, a não ser um porquê.

Ninguém sabe ao certo o impacto que tem na vida dos outros.

Cada atitude que tomamos tem uma consequência na vida de outras pessoas, seja boa ou ruim. Essa foi uma das lições mais importantes que o livro me deixou. No caso de Hanna, isso fica muito claro: não foi um fato isolado que a levou a se matar, mas a bola de neve (como ela mesma chama o tempo todo) que a ação descrita lá na primeira fita provocou.

O que me encantou na protagonista foi perceber que ela não agia para se encaixar em um grupo; seu maior desejo era que as pessoas a vissem como ela de fato é e não como a pintaram com base em boatos. No livro, é evidente o quanto Clay deixa de se aproximar de Hanna por causa da reputação que – diga-se de passagem – criaram para ela.

Portanto, um outro aprendizado fundamental da obra é: não façam pré-julgamentos. Não criem uma imagem ruim de uma pessoa sem antes conhecê-la só porque ouviram isso ou aquilo a respeito dela. Sobretudo, não acreditem em boatos.

Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mais do que isso, queria que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber a meu respeito. Mas eu de verdade.

Comparando com a série, uma mudança que eu tenho gostado até então é a participação maior dos responsáveis por esses adolescentes na produção da Netflix. Senti muita falta de adultos mais presentes no livro. O tempo todo eu pensava: cadê os pais dessas crianças????? O que me faz pensar o quanto é importante ter alguém experiente com quem dialogar abertamente durante a adolescência.

(Ok, temos o Sr. Porter, mas ele foi a cereja do bolo, não é mesmo?! E isso também nos deixa uma lição: não subestime os sentimentos de ninguém!)

Ao final do livro, o autor responde a 13 perguntas sobre a história. Em uma delas, Jay Asher conta que a obra despertou uma vontade de “ser uma pessoa maravilhosa” em uma de suas leitoras. Em mim, provocou indignação e choque ao lembrar que existem Justins, Bryces, Zachs e Courtneys espalhados pelo mundo todo praticando bullying (e crimes piores) agora mesmo contra outras Hannas. Uma realidade que só pode ser modificada por nós mesmos, né?!

Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

Deixe uma resposta