Quarto – Emma Donoghue

A história é triste e pesada, mas ganha uma boa dose de leveza ao ser contada pelos olhos de Jack, uma criança de 5 anos. Ele e a Mãe vivem no Quarto e fazem tudo juntos, menos quando o Velho Nick vai visitá-la e Jack precisa ir dormir dentro do Guarda Roupa.

Para Jack, o Quarto é o mundo.
Para a Mãe, é uma prisão onde o Velho Nick a mantém há sete anos.

Uma TV no Quarto é o único contato deles com o que acontece lá fora, mas Jack acredita que tudo só existe mesmo dentro da televisão.

Os coelhinhos são da TV, mas as cenouras são reais, gosto do barulho que elas fazem. (…) Os homens não são reais, menos o Velho Nick, e não tenho certeza se ele é real de verdade. Meio real, talvez? Ele traz mantimentos e presentes de domingo e faz o lixo desaparecer, mas não é humanos como nós. Só acontece de noite, feito os morcegos.

Até que um dia a Mãe resolve contar toda a verdade sobre o que Jack passa a chamar de “Lá Fora” e eles começam a planejar uma “Fuga do Inferno”. Mas, quando a Mãe acha que todos os problemas acabaram, descobre que vai ter que enfrentar uma nova luta pra se adaptar ao mundo real.

Jack é maravilhoso. É esperto, carinhoso, inteligente. E a mãe é uma heroína ao criar esse filho em cárcere privado e sempre longe da maldade direta do Velho Nick. Imagino eu que algumas pessoas tenham achado a narrativa infantil cansativa, mas eu achei mágica. Mesmo diante da tensão do assunto, Jack me fez rir muitas vezes… e chorar outras tantas, claro.

Logo depois de terminar o livro, eu assisti ao filme “O Quarto de Jack”, que rendeu a Brie Larson (a Mãe) o merecido Oscar de Melhor Atriz. Na minha opinião Jacob Tremblay, que faz o Jack, deveria ter ao menos sido indicado. Ele é perfeitamente o Jack da minha imaginação.

Mas como sempre, o livro leva a melhor. O filme é bom, capta a essência da história, mas deixa de mostrar muita coisa, inclusive detalhes importantes. Recomendo 100% o livro. E a história nos faz pensar muito!

No mundo, eu noto que as pessoas vivem quase sempre tensas e não têm tempo. (…) No Quarto, eu e a Mãe tínhamos tempo pra tudo. Acho que o tempo é espalhado muito fino em cima do mundo todo, feito manteiga, nas ruas e nas casas e nas pracinhas e nas lojas, por isso só tem um tiquinho de tempo espalhado em cada lugar, e aí todo mundo tem que correr pro pedaço seguinte.

Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

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