Quatro vidas de um cachorro – W. Bruce Cameron

Por que estamos aqui? Qual o sentido da nossa vida?

Pelo visto, não são só os humanos que se fazem essas perguntas… Em Quatro vidas de um cachorro, vamos conhecer a história de um cão que vive (e renasce) em busca de seu propósito no mundo.

A história é narrada em primeira pessoa pelo cachorro, que ganhou meu coração logo nas primeiras frases. Sua visão sobre as coisas é bastante ingênua e muito divertida, e se assemelha ao olhar de uma criança. Suas descobertas, principalmente quando filhote, e suas interpretações sobre as ações dos humanos são encantadoras.

Eu estava distraído por um novo desdobramento em nosso contínuo jogo de luta, em que eu dava a volta por trás de Coco e montava em seu lombo, agarrando-a com as patas dianteiras. Era um jogo maravilhoso e eu não entendia porque Coco o encarava com tamanho mau humor, contorcendo-se e rosnando para mim. Se parecia tão perfeito, por que tanta falta de receptividade?

Sua primeira vida é como um vira-lata. Ao lado de sua mãe e de seus irmãos, Veloz e Mana, ele enfrenta as dificuldades de um cão de rua, sem dono, que precisa vasculhar os lixos em busca de alimento e até mesmo se esconder dos humanos. Logo, ele é resgatado e levado para um abrigo, onde recebe os cuidados de três boas pessoas: Missus, Bobby e Carlos. São eles que nomeiam o cão como Tobby. No entanto, sua primeira passagem na Terra dura pouco tempo.

Então, ele renasce como um Golden Retriever e, depois de passar por apuros, é dado de presente a um menino chamado Ethan, que dá ao cão o nome de Bailey. Os dois vão viver muitas aventuras e uma verdadeira relação de amor.

É interessante a forma como o cão consegue captar o sentimento dos humanos. Ele é capaz de perceber, por exemplo, quando Ethan está feliz, sofrendo ou ansioso, e até de sentir energia ruim vindo de gente má. Para mim, a descrição da vida como Bailey é a melhor parte do livro.

Também é importante dizer que, a cada vez que renasce, o cão carrega consigo as memórias da vida anterior, portanto lembra-se das pessoas, dos problemas que enfrentou e dos truques que aprendeu, tornando-se um cachorro cada vez mais esperto.

Minha vida no pátio me ensinara como fugir por um portão. Ela me levara direto ao menino, e amar e morar com ele era o propósito da minha vida. Da hora em que acordávamos até a hora em que dormíamos, vivíamos juntos.

Após partir novamente, o cão renasce uma terceira vez, agora como um pastor alemão… fêmea. Quem primeiro a adota é Jakob, que a chama de Elleya – ou, simplesmente, Ellie. O dono é um policial, que treina Ellie para ser uma cadela de busca e resgate.

Meu propósito era claro – Encontrar, Mostrar e Resgatar pessoas. Eu era um bom cachorro.

Quando Jakob deixa sua carreira, Ellie passa a viver com Maya, outra policial, assumindo o mesmo trabalho de busca e salvamento. No entanto, após um dos resgates, a cadela é obrigada a se aposentar e passa a apresentar seu trabalho em escolas e hospitais, para crianças e idosos. Ao final dessa vida, o cão acredita que cumpriu sua missão na Terra, tendo amado incondicionalmente seu menino e salvado muitas pessoas como Ellie.

Enquanto eu ponderava tudo isso, deitado sobre um retalho de sol, percebi que havia passado a minha vida sendo um cachorro bonzinho. […] Agora, cumprido o meu propósito, eu tinha certeza de estar no fim, de que não haveria mais renascimento, e isso me deixava em paz.

Mal sabia que ele que ainda voltaria como o labrador Amigão e, somente nesta quarta vida, entenderia seu real propósito no mundo.

Eu amei o livro! Ele me fez rir e chorar ao mesmo tempo e me mostrou claramente como os cães conseguem amar sem esperar nada em troca. A história é emocionante para qualquer leitor, mas acredito que seja ainda mais especial para quem tem um cãozinho. Acho que passei a enxergar meu Bruce de outras formas… até entendi melhor o que ele sentiu recentemente, quando foi castrado!

Os cães na telona

O livro ganhou uma adaptação para os cinemas e estreou no Brasil na semana passada – falamos sobre ele no último post.

No entanto, o longa tem sido alvo de uma polêmica. Um vídeo publicado na internet mostra um pastor alemão sendo supostamente forçado a entrar na água para reproduzir uma cena em que o cachorro – como a Ellie do livro – salva um jovem do afogamento. A PETA, organização protetora dos animais, fez uma denúncia de maus tratos e pediu boicote ao longa. A pré-estreia do longa chegou a ser cancelada nos Estados Unidos.

Apesar das críticas, o filme arrecadou US$18,4 milhões em seu final de semana de estreia nos Estados Unidos e promete emocionar a todos que forem assisti-lo. Mas saibam: o livro é emocionante por si só. Vale a pena conferir!

Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

2 Comment

  1. não sei se consigo ler.. não sei lidar!

    1. consegue! não é muito triste, como Marley & eu… é bonito!

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