Sementes do Piquenique Literário

Hoje tenho a difícil missão de transcrever (e resumir) em uma postagem dois assuntos de grande relevância: o sexto encontro do Piquenique Literário e uma breve resenha do livro escrito pela autora canadense Margaret Atwood, O Conto da Aia, que foi a obra escolhida para o debate deste mês.

Porém, vou optar por fazer duas postagens separadas, okay?! São tantas impressões que tenho para compartilhar, que talvez acabasse “misturando” minhas ideias e, por fim, não conseguisse falar com precisão nem de um e nem de outro assunto! Além disso, o fator “suspense”, que certamente será um atrativo para a próxima postagem que eu farei no Além da Capa, é algo que pesa na minha escolha.

O Piquenique

Esta é a primeira vez que eu venho aqui para falar sobre o Piquenique Literário – um projeto carinhosamente pensado e desenvolvido pela Thaís e por mim para difundir a cultura, por meio da leitura, na cidade em que moramos, São José dos Campos, no interior de São Paulo.

A ideia é diversificar os temas a cada mês e, dentro do assunto escolhido, selecionar uma obra para o debate. Nosso cuidado é que o livro em pauta instigue o leitor de alguma maneira, provocando-o e motivando-o à discussão. Assim, para filtrar as possíveis sugestões, optamos por diversos fatores, como a sinopse, as avaliações dos leitores nas diferentes redes sociais e, é claro, pelo “sexto sentido” literário. Contudo, essa tarefa nem sempre é algo muito fácil, mas até então tem dado muito certo!

Assim, cada livro até agora foi uma grande e grata surpresa. Ao concluir a leitura de qualquer obra é comum que nós – leitores – tenhamos a vontade de dividir nossas experiências com alguém que tenha lido a mesma história, além de ouvir as impressões que o outro teve sobre a narrativa. O curioso é que algumas opiniões são semelhantes, mas muitas vão bem além daquilo que você poderia ter imaginado.

E é justamente essa oportunidade de dar continuidade às histórias contadas nos livros, por meio de conversas, que torna o Piquenique Literário tão maravilhoso.

Resistência

Neste último encontro, duas coisas chamaram muito a minha atenção e gostaria de compartilhá-las com vocês! Primeiro, é sobre um dos participantes, André, que é artista plástico e estava acompanhando uma outra pessoa. Começamos a comilança e logo durante os primeiros minutos de discussão, ele abriu um pequeno caderno, pegou uma caixa de lápis de cor e começou a desenhar algo nas páginas em branco.

Até aí, tudo bem… é comum algumas pessoas irem ao Piquenique apenas para ouvir – e posso garantir que até mesmo os mais quietos saem do encontro satisfeitos e realizados de alguma forma – e outras que vão apenas como acompanhantes de amigos e familiares.

Voltando ao fato… Minutos depois ele entrega o caderno em que desenhava para a Thaís e eu noto que na página que estava aberta havia duas ilustrações. Me deixei levar pela curiosidade e tratei de olhar de rabo de olho para as mãos da minha colega e vi um dos desenhos: uma espécie de embrião sendo fecundado e, dentro desse feto, havia uma pequena planta. Como muitas vezes a interpretação de um desenho artístico é subjetiva, eu entendi naquele momento que o artista plástico quis passar a mensagem, por meio de seus traços, de que nós, participantes do Piquenique Literário, estávamos semeando e plantando o conhecimento, que viria futuramente a se tornar uma grande árvore.

E, em um segundo momento, – em alusão ao que a personagem do livro em debate fazia contra um regime opressor em uma sociedade distópica – uma outra participante, a Mari, para exemplificar seu ponto de vista sobre um dos assuntos discutidos, disse que o nosso encontro era uma forma de “resistência”.

Uaaaaau!!! E esse “resistir”, que tem o sentido de ir na contramão do que é convencional, de reunir um grupo de pessoas estranhas umas às outras para um debate e de promover a leitura, em um país onde se lê cada vez menos, não é um ato de resistência só meu e da Thaís, mas do grupo todo! E também de outros clubes de leitura que existem por aí afora e de quem se dedica a compartilhar a leitura de diversas formas, como por resenhas em blogs e canais no Youtube, esquecendo intencionalmente um livro em um lugar público, dando um livro de presente, entre outras maneiras.

Outras sementes

E, por fim, uma ex-participante do Piquenique Literário, a Karol, que mora em outro país, mas que, durante suas férias no Brasil, participou de alguns dos nossos encontros, trouxe ainda uma boa notícia. Ela disse que a nossa ideia desenvolvida em São José dos Campos a motivou a criar um projeto semelhante na cidade onde mora: Nice, na França!

Uma ilustração inspirada no encontro, um elogio em alusão à personagem do livro do mês e uma semente que será plantada em outro país são apenas alguns dos fatores que mostram que o Piquenique Literário está dando muito certo. E, aqui, não posso deixar de mencionar uma parceria com a Livraria Saraiva de um dos shoppings da cidade, que, gentilmente, forneceu brindes para sorteio e, o melhor de tudo, concede descontos em livros para todos os participantes do Piquenique.

Além disso, fomos convidados para participar de uma mesa redonda durante a Festa Literomusical do Parque Vicentina Aranha (FLIM), que irá contar com a presença do escritor Ignácio de Loyola Brandão. E, ainda, seremos “notícia” no jornal interno da empresa em que Thaís e eu trabalhamos (pra quem não sabe, nós nos conhecemos no ambiente de trabalho)!

E, para encerrar, posso dizer que o próximo fruto dessa semente já começou a crescer e tem data marcada para florescer: o sétimo Piquenique Literário, que, desta vez, irá debater a obra Memórias da Casa dos Mortos (ou Recordações da Casa dos Mortos, dependendo da tradução), do escritor russo Fiódor Dostoiévski.

Portanto, se você é de São José dos Campos ou da região, fica o nosso convite para o próximo encontro. Caso contrário, esperamos que a nossa ideia sirva de inspiração para que você também possa semear a paixão pela leitura aí na sua cidade!

Mineiro, jornalista, escorpiano, leitor de boas histórias, amante de práticas saudáveis, apaixonado pela natureza e por boas vibrações.

8 Comment

  1. Parabéns duplinha! A maior prova que o trabalho de vocês é inspirador foi eu ter lido em um semestre, o que não li em quase 3 décadas haha vocês não foram a inspiração, mas sem dúvidas foram parte dela (e continuam sendo). Continuem com o ótimo trabalho <3

    1. não foram a principal inspiração*

    2. São esses retornos que nos dão mais vontade de continuar com o blog e o projeto! Que mensagem linda <3 Continue participando, mesmo quando não der pra ler haha

  2. Ei, Henrique!
    Bom contar com a sua presença nos últimos encontros.
    Espero que você leia cada vez mais! 🙂

  3. Nossa que incrível isso kkk, minha cidade não faz eventos assim e duvido que deva dar gente, é tão encontrar outros leitores como nós é gratificante kkk. E o melhor de tudo é que nos divertimos e teremos uma lembrança de um dia perfeito.

    Amei, um abraço.

    https://sussurrandosonhos.blogspot.com.br/

  4. Olá!!! No começo nós também achávamos que a adesão ao Piquenique Literário seria baixa! Mas tínhamos a vontade de fazer algo diferente e a seguinte ideia em mente: “se for só nós dois e mais uma terceira pessoa já dá pra discutir, não é?”

    Para a nossa surpresa no primeiro encontro foram cerca de 30 pessoas e esse número tem se mantido ao longo desses meses. E sempre surgem novos participantes!

    Quem sabe um projeto semelhante também não dê certo aí na sua cidade, hein?!

  5. CARINA FRANCIELE TAVARES says: Responder

    Fui em todos e continuarei indo. Obrigada.

    1. Cah, é sempre um prazer enorme contar com a sua presença! <3

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