Tudo e todas as coisas – Nicola Yoon

Talvez não possamos prever tudo, mas podemos prever algumas coisas. Por exemplo, com toda a certeza eu vou me apaixonar pelo Olly. E é quase certo que isso será um desastre.

Madeline Whittier é portadora de uma doença chamada Imunodeficiência Combinada Grave ou, resumidamente, IDCG. É também conhecida como “doença da criança na bolha”, porque é justamente isso que acontece: o paciente simplesmente não pode sair de casa. Qualquer contato com o mundo externo pode desencadear uma série de alergias e o resultado disso pode ser fatal.

A doença de Madeline foi descoberta quando ela ainda era bebê, pouco depois de seu pai e irmão morrerem em um acidente de carro, portanto ela mal se lembra dos poucos momentos que viveu “Lá Fora”. Desde então, tudo o que Madeline conhece está dentro das paredes brancas de sua casa. Aos 18 anos, as únicas pessoas com quem tem contato são sua mãe, que é médica, e Carla, sua enfermeira.

Apesar disso tudo, Madeline é uma pessoa feliz – e foi isso que me fez gostar desse livro de cara! É tão comum encontrarmos protagonistas dramáticas que a força dessa menina surpreende e encanta. Embora, obviamente, ela deseje não ter a doença e poder conhecer o mundo, Madeline compreende e aceita as limitações que lhe foram impostas, e até faz piadinhas mórbidas com a sua situação, o que a torna ainda mais simpática.

Todos os dias você levanta e aprende uma coisa nova. Todo dia você descobre uma coisa para deixá-la feliz. Todo dia, sem exceção, você tem um sorriso para mim. Você se preocupa mais com a sua mãe do que consigo mesma.

Tudo ia bem até que, um dia, uma família se muda para a casa ao lado. Entre os novos vizinhos está Oliver, um jovem com quem Madeline passa a conversar pela internet. No entanto, o que deveria ser apenas um passatempo ou uma simples amizade virtual cresce em proporções descontroladas e desperta em Madeline a vontade de viver, ainda que por pouco tempo.

Eu era feliz antes de conhecê-lo. Mas agora estou vida e isso não é a mesma coisa.

Eu comprei esse livro em ebook por preciosos R$4,66 na Black Friday e não tinha expectativa sobre ele. Entre um clássico e outro, resolvi dar uma chance à obra porque achei que seria uma daquelas leituras relaxantes, que você acaba rapidinho. Estava certa!

Esse é o livro de estreia de Nicola Yoon, uma autora jamaicana que, atualmente, vive em Los Angeles com o marido e a filha. E eu mal posso esperar por outras obras dela. Nicola conseguiu construir personagens apaixonantes e uma narrativa em primeira pessoa deliciosa.

Os capítulos são curtos, intercalados com algumas listas feitas por Madeline com muito bom humor e ilustrações maravilhosas. Por isso, me deu muita vontade de ter a edição impressa, que deve ser linda. Além disso, o livro traz diversas referências literárias – mas cuidado: se você não leu/não conhece a história de Pequeno Príncipe, O Senhor das Moscas e até Missão Impossível pode se deparar com spoilers.

A história também nos faz pensar sobre questões contemporâneas que precisam ser discutidas, como o alcoolismo e a violência contra a mulher, além de dar enfoque à temas como as relações familiares, a amizade, o amor e o modo como aproveitamos e damos importância ao que temos.

Nas telonas

Como era de se esperar, o livro vai ganhar uma adaptação para os cinemas. Vocês se lembram da Rue, de “Jogos Vorazes”? É a atriz Amandla Stenberg quem vai dar vida à Madeline, que, no livro, é descrita como uma garota birracial, de origem africana e asiática.

Olly será interpretado por Nick Robinson, que atuou em “A Quinta Onda” (2016) e fez o papel de Zach Mitchell em “Jurassic World” (2015).

O longa ainda não tem data para estrear nos cinemas brasileiros, mas já estou ansiosa!

Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

3 Comment

  1. Carolina Cerqueira says: Responder

    Eu ganhei este livro de aniversário em 2016 e ainda não li. Mas, depois deste texto delicioso da Thaís, fiquei super curiosa e acho que ele vai entraram frente de algum outro. Meta de fevereiro a dezembro é dar conta de 10 livros. Já foram 3 em janeiro, quase 4. Vou apostar neste!

    1. Ah, Lina, tô gostando de ver essas leituras 🙂
      Esse livro é bem infantojuvenil, mas vale a pena, é uma narrativa muito gostosa e fácil, por isso rápida. A história traz um segredo que, confesso, foi bem previsível pra mim, mas os personagens são tão encantadores que isso não me afetou em nada rs
      Depois me conta o que achou!
      Beijos <3

  2. Carolina Cerqueira says: Responder

    Madeline Whittier é uma linda jovem que vive enclausurada em casa em função de uma doença rara e gravíssima, conhecida como a doença da bolha. Maddy não cresceu como as meninas da sua idade, não viveu o que seria normal para todas e apesar disso, vive, dentro do possível, com alegria, vivacidade e amor pela vida que conhece. O que Maddy não poderia imaginar é que o mundo, até então conhecido por ela, ficaria muito pequeno depois da chegada de uma família que ocuparia a casa ao lado. Madeline se descobre Maddy, descobre o amor, a vida, a doença em si e a mentira.
    A história de Maddy só passa a ser completa quando ela conhece Oliver, ou Olly, que apresenta a ela não apenas o mundo lá fora, mas o amor dentro de cada um deles.
    “Tudo e Todas as Coisas” é a tradução de como o amor pode trazer a vida e a morte, a liberdade e o aprisionamento. É uma reflexão importante e necessária sobre as nossas relações, sobre a nossa conduta e maneira de pensar.

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