Vamos falar de poesia?

Tenho duas revelações a fazer:
1) Eu não sou fã de poesia (ou não era);
2) O criador do “Eu me chamo Antônio” se chama Pedro Gabriel.

Tem mais: Pedro nasceu no Chade, um país africano que faz fronteira com a Líbia e o Sudão. Ele é filho de pai suíço e mãe brasileira, e só veio para o Brasil com 12 anos, por isso sua adaptação ao português foi demorada. Hoje ele fala e escreve tão bem na nossa língua que seus poemas lhe renderam mais de 1 milhão (!) de seguidores no Facebook e quase 700 mil no Instagram – e resultaram em três livros.

Eu soube de tudo isso participando de um sarau, ontem, no Sesc de São José dos Campos. Devo confessar que minha motivação para comparecer ao evento não veio dos convidados, e sim de um amigo (esse aí no meio da foto, o Fábio França), que foi mediador do bate-papo. Mas ainda bem que fui! 🙂

Além do Pedro/Antônio, participou do encontro Wilson Gorj, que é colunista dos jornais O Lince e Comunicação Regional, e editor na Editora Penalux. O objetivo do sarau era falar sobre o visual writing – a integração entre desenhos, tipografias e textos – e sobre a disseminação da poesia nas plataformas digitais. Porém, a conversa foi muito além.

Poesia é intimidade

Para quem não sabe, Pedro escreve poesias em guardanapos. Tudo começou em um café do Rio de Janeiro, onde, um dia, ele resolveu colocar seus sentimentos, literalmente, no papel. Já foram mais de 2 mil guardanapos escritos e desenhados, e grande parte deles está nos três livros do autor.

Para ele, a intimidade com o papel e a caneta traz ainda mais sinceridade aos poemas. O poeta deu até um exemplo: se cada um dos participantes do sarau escrevesse a palavra “poema” em uma folha, teríamos inúmeros poemas diferentes; se todos digitassem o termo em um computador, teríamos diversos poemas iguais.

Pedro também disse uma frase que mexeu comigo: escrever, para ele, é uma necessidade tanto quanto respirar. Fiquem com essa…

Para Wilson, os escritores têm que encontrar a sua própria voz, sem mudá-la para agradar o público, o que pode acontecer com a internet. Algumas pessoas, segundo ele, escrevem para ganhar likes e não ganham curtidas porque escrevem. O importante, portanto, é ser sincero.

Para reafirmar sua ideia, ele mencionou Mário Quintana. Wilson disse que, no começo da carreira, Quintana escrevia contos e era muito premiado por seus textos. Mas ao longo do caminho, o autor percebeu que sua verdade estava na poesia e, então, resolveu seguir seu coração.

Aliás, Quintana e Paulo Leminski foram os dois poetas mais citados durante o evento. E o Fábio, meu amigo mediador, já tinha me desafiado a ler Leminski antes de bater o pé dizendo que não gosto de poesia. Não sei se ele lembra, mas ficou de me mandar uns textos do autor (tô aqui, sentada, esperando)… e, depois de ontem, eu fiquei realmente com vontade de ler.

O evento ainda teve espaço para quem quisesse recitar poesia e apareceu muita gente boa por lá.

Um dos amigos que foi ao sarau estava com o segundo livro lançado pelo Pedro Gabriel na mão e eu fiz uma leitura dinâmica da obra ali mesmo. Gostei muito! Porém, sinto que preciso reler, com calma e tempo para refletir. Ainda assim, uma das poesias ficou guardadinha na memória:

Na saúde e na doença, na saudade e na presença. O amor é menos do que é e mais do que você pensa.

Pedro disse, ainda, que está escrevendo um quarto livro, dessa vez um romance, com Antônio como protagonista. Suas três obras publicadas são essas:

Dito isso tudo, tenho duas revelações a fazer:
1) Quero conhecer poesia;
2) Eu me chamo Thaís Renata (sério).

Taurina, jornalista, casada com o Xu e mãe de um poodle preto chamado Bruce (Wayne). Poderia viver eternamente de doces e livros.

1 Comment

  1. Olha, eu confesso que poesia também não é meu gênero literário predileto, mas já me rendi a algumas sim.
    Adorei o post, faz a gente realmente ter vontade de conhecer mais da poesia.
    Beijinhos, lindona!
    Luar de Livros

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